8.6.07

Everyman ou Todo-o-Mundo

O PEN/Faulkner Award For Fiction deste ano foi atribuído, mais uma vez, a Philip Roth pelo seu mais recente livro, Everyman ou, na tradução portuguesa, Todo-o-Mundo. A notícia ia-me passando ao lado, até ver o dito, à venda, lhe ter pegado, folheado rapidamente com o polegar e pensar "será caso que este é o livro que vi no jornal?". Mas quantidade nunca foi sinónimo de qualidade.

182 páginas, sem interrupções, divisões ou pausas. Lê-se de uma assentada, sem respirações, e no fim descobre-se que funciona como um ciclo e devemos voltar ao início.

Quase uma biografia clínica, é espantoso como nos prende página após página. E isto porque, no fundo, é bem mais do que isso. Sem nunca criarmos qualquer simpatia pelo protagonista, vai crescendo uma curiosidade mórbida sobre aquele ser, porque, desde a primeira frase, sabemos o seu destino ("Around the grave in the rundown cemetery were a few of his former advertising colleagues from New York, who recalled his energy and originality and told his daughter, Nancy, what a pleasure it had been to work with him.").

O que mais surpreende é uma visão que não esperamos, a da velhice tal como ela é, sem ponta de romanesco nem especiais motivos deprimentes. A velhice e o que ela tem de mais pessoal e introspectivo. Porque todo o livro o é.

Crítica de Mário Santos no Ípsilon (Público) desta semana: 4Estrelas
Acho sempre lamentável que nenhuma consideração seja feita no que à tradução diz respeito.

Mais críticas: esta e esta

Marcador de Livros: daqui

3 comentários:

Mónica Lice disse...

Parabéns pelo blog! E força para continuares!

Beijinhos.

Virginia disse...

Obrigada e bem-vinda.

Anónimo disse...

Belo marcador! Miau!